segunda-feira, 22 de agosto de 2011

13a Plenária Estadual da CUT Paraíba


CUT-PB realiza 13ª Plenária nos dias 25 e 26 de agosto



A Central Única dos Trabalhadores na Paraíba (CUT-PB) realiza sua 13ª Plenária Estadual nos dias 25 e 26 de agosto (quinta e sexta próximas) no Park Hotel Fazenda do Valle, localizado no município do conde, na PB- 018, Fazenda Ampara. De acordo com Edvan Silva, secretário de Meio Ambiente da CUT-PB, devem participar da Plenária 130 delegados representantes das mais diversas categorias de trabalhadores O evento tem como objetivo discutir a sua nova gestão estatutária e escolher delegados para os Congressos Estadual e Nacional, que devem ser realizados no próximo ano, para eleger os novos representantes das CUTs Estadual e Nacional.

 “Vamos debater as conjunturas municipais, estadual e nacional para que possamos priorizar ações para uma nova gestão. Na próxima terça-feira (dia 02), realizaremos uma reunião com a comissão organizadora da Plenária para decidir sobre as entidades que serão convidadas a participar do debate sobre a conjuntura atual”, destacou o sindicalista. Os delegados devem se inscrever até o próximo dia 02.

A abertura do evento está programada para acontecer no dia 25 (quinta) às 14h00. Às 14h30 será realizado o “Seminário de Desenvolvimento e Acesso às Políticas Públicas no Campo”, com a participação de representantes do Banco do Nordeste. A partir das 16h00 do mesmo dia está agendada a apresentação das ações recentes da CUT-PB. Para às 16h30, está marcada a “Análise da Conjuntura – Situação do emprego e da política na Paraíba”, com a participação de representantes do Dieese – Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas. Às 18h00 está prevista a aprovação do regimento.

Para o dia 26 (sexta-feira), a programação começa a partir das 8h30, com a leitura da tese nacional e segue às 9h30 com a leitura da tese estadual, com debate a partir das 10h00. Às 14h00 está prevista a escolha dos delegados e suplentes para a 13ª Plenária Nacional da CUT. O encerramento será às 17h00.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

#10deAgostoCUT# já agita Brasília. Audiências são confirmadas



10/08/2011
As ministras Gleisi Hoffman e Miriam Belchior e o deputado Marco Maia vão receber a pauta da Central
Escrito por: CUT Nacional
Numa tenda montada na Esplanada dos Ministérios, a CUT vai realizar, a partir das 12h30, um ato político com a presença de parlamentares, de quem vai se cobrar maior empenho na aprovação das matérias de interesse da classe trabalhadora que estão paradas no Congresso.
Às 14h15, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, recebe de uma delegação de dirigentes cutistas a pauta de reivindicações da Central.
Já a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, recebe a CUT às 16h, em seu gabinete.
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, recebe a pauta às 17h

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Brasil Maior, só com contrapartidas sociais

05/08/2011

Mas, afinal, o que são contrapartidas sociais? Em artigo, Artur Henrique comenta

Escrito por: Artur Henrique, presidente da CUT

Queremos o desenvolvimento da indústria brasileira e de todos os setores econômicos do País, afinal isso abre possibilidades para a geração de empregos e de geração de renda.
Portanto, não somos contra as intenções do Plano Brasil Maior, anunciado no último dia 2 pelo governo Dilma.
Porém, queremos chamar a atenção para o fato de que, se o desenvolvimento da indústria abre possibilidades para a geração de empregos, não garante, por si só, que esses resultados se traduzam em justiça social e distribuição de renda.
Por isso nos colocamos contra o método com que o Plano foi elaborado e anunciado. É certo que a presidenta Dilma e ministros receberam uma delegação de dirigentes sindicais, dois dias depois do anúncio original do Plano, para afirmar que seremos ouvidos durante a preparação dos projetos de lei e das medidas provisórias que darão forma ao Brasil Maior.
Portanto, é o momento de reafirmarmos nossas propostas sobre o tema. Se o governo não incorporar propostas vindas do movimento sindical, perderá a oportunidade de introduzir no seu projeto cláusulas importantes para garantir que os esforços de incentivo à produção, a ser financiados pelo dinheiro do contribuinte, melhorem a situação do mercado de trabalho no País.
O governo, em especial a área econômica, por vezes dá-nos a impressão de acreditar que a simples criação de novas vagas de trabalho é o bastante para melhorar a vida da população.
Não é. O Brasil ainda tem um mercado de trabalho caracterizado pela precariedade. Baixos salários, alta rotatividade, grandes taxas de informalidade, condições de segurança e saúde do trabalho ruins na maioria dos setores econômicos e uma jornada extensa que toma dos trabalhadores o tempo que teriam para se qualificar e viver mais com a família, para citar alguns dos problemas que a imensa maioria das pessoas vivencia na pele durante o período em que estão em serviço.
Podemos lembrar de outros problemas sérios para além do ambiente de trabalho mas que a ele estão profundamente ligados, como o transporte público que massacra legiões de trabalhadores na ida e na volta da lida diária, a saúde pública que continua devendo em qualidade e as dificuldades para prover a educação escolar dos filhos.
E o que um projeto como o Plano Brasil Maior tem a ver com isso, poderiam perguntar alguns. Tem tudo a ver.
O governo pretende abrir mão, através de cortes de impostos, de R$ 25 bilhões até 2012. Isso vai exigir um sacrifício de toda a sociedade, pois é dinheiro a menos no combate a problemas tão grandes como os já citados.
Se é para fazê-lo, que se associe a medida a outras que costumamos chamar de contrapartidas sociais. O setor industrial vai receber benefícios e essa é uma boa oportunidade para instituir essas contrapartidas. Do contrário, a sociedade vai se sacrificar para beneficiar um único grupo ou setor.
Quem receber os incentivos do Brasil Maior deve ser obrigado, sob pena de perdê-los, a manter certos compromissos. Vamos enumerar alguns, que podem se tornar realidade se forem incluídos no pacote de medidas do Plano.

Garantia de geração de empregos decentes: ou seja, carteira assinada e direitos já previstos na legislação. Será preciso criar mecanismos de aferição e articular os já existentes para monitorar se os setores e empresas beneficiados estão cumprindo as metas de geração de emprego estabelecidas.

Respeito à representação sindical dos trabalhadores: inclusive com organização por local de trabalho, que na prática é a presença do sindicato no interior das empresas, com poder de negociação. Essa experiência, que alguns empresários dizem temer, é absolutamente bem sucedida em importantes empresas. Sugiro a todos uma visita para conhecer as comissões sindicais que existem nas grandes montadoras do ABC.

Hoje as práticas antissindicais estão disseminadas por todos os setores, o que fragiliza os trabalhadores na relação com seus empregadores. Por isso é preciso criar e implementar uma lei de práticas antissindicais.

Redução da jornada: é difícil imaginar um momento mais propício para fazer o projeto de redução da jornada semanal de trabalho avançar. Enquanto se dá benefícios a um setor, divida-se um pouco dos ganhos com os trabalhadores.

Combate à alta rotatividade: no Brasil, dois terços dos vínculos empregatícios são desfeitos antes de o trabalhador completar um ano de casa. 40% de todas as demissões que ocorrem no período de um ano atingem pessoas com menos de seis meses na empresa. Certamente a imensa maioria dessas pessoas demitidas será substituída por outras que ganharão salário menor.  Precisamos mudar este quadro, e em nossa opinião, a ferramenta para essa mudança é a ratificação da Convenção 158 da OIT. O projeto já está no Congresso, e o governo poderia incluí-lo no pacote de medidas do Plano Brasil Maior.

Contrato coletivo nacional: quando as categorias ou os setores econômicos tiverem um contrato coletivo nacional, haverá patamares mínimos de remuneração salarial e condições de trabalho em todo o Brasil para aquela categoria ou setor econômico. Isso vai reduzir as assimetrias regionais e vai qualificar o emprego no País.

Proteção à Seguridade:sem falar na proposta que o governo apresenta para a desoneração da folha de salários, ideia muito arriscada se não estiver firmemente associada a mecanismos que garantam criação de empregos de qualidade. Houve iniciativas parecidas em outros momentos, como o Simples e o Super Simples, que não resultaram em aumento das contratações.

E a Seguridade Social deve ser preservada ao máximo. Não podemos permitir testes nessa área, pois o financiamento da Seguridade deve ser mantido.

Ainda neste ponto, é preciso dizer que a sistemática de cobrança da contribuição à Seguridade incidir sobre o faturamento, e não mais sobre o número de trabalhadores, teria sentido se fosse aplicada sobre o sistema financeiro, que ganha muito e emprega pouco, ou sobre empresas de alta tecnologia, pelos mesmos motivos.

Como proposta pelo governo, no entanto, a cobrança sobre o faturamento recai sobre empresas que empregam muito e ganham muito menos que os bancos. Ou seja, a função de estimular a geração de empregos que a medida poderia ter se perde no caminho.

Porém, mais importante é lembrar que a desoneração da folha só deveria ser debatida no âmbito de uma reforma tributária ampla, profunda, que torne nossa estrutura mais progressiva, ou seja, transforme-a dentro da lógica de que “quem ganha mais paga mais, quem ganha menos, paga menos”.

Campanha - Lembrando as vítimas da Ditadura


ANTÔNIO CARLOS NOGUEIRA CABRAL (1948-1972)
Data e local de nascimento: 14/10/1948, São Paulo (SP)
Filiação: Maria Tereza Nogueira Cabral e Cezario Nogueira Cabral
Organização política ou atividade: ALN
Data e local da morte: 12/4/1972, em Rio de Janeiro (RJ)

Este é mais um caso em que o trabalho da CEMDP conseguiu derrubar a versão que prevaleceu durante muitos anos, de que esse estudante de Medicina paulista teria sido morto ao resistir à prisão. Na verdade, Antônio Carlos Nogueira Cabral foi morto depois de preso pelos agentes do DOI-CODI/RJ.
Cabral, como era conhecido entre os alunos da Faculdade de Medicina da USP, em Pinheiros, foi presidente do Centro Acadêmico Osvaldo Cruz (CAOC) em 1970, e era militante da ALN desde 1969. Liderança muito querida entre seus colegas de faculdade, participou da tradicional encenação teatral do Show Medicina e também de uma montagem dirigida por Alberto Daversa, Noite de Guerra no Museu do Prado, de Rafael Alberti, que narra a heróica resistência dos republicanos espanhóis frente ao ataque final das forças fascistas, em 1939. Cabral também jogava rúgbi e praticava outras modalidades esportivas, sendo um caso raro de militante de esquerda, naquele período polarizado da história brasileira, a manter amizade normal com os colegas de faculdade alinhados com as posições da direita.
Sua prisão, em circunstâncias ainda hoje não esclarecidas, ocorreu provavelmente em 11/04/1972, no Rio de Janeiro, mas os fatos só foram divulgados pelos jornais no dia 18, com a versão de que Cabral morrera ao resistir à prisão na Rua Zizi, nº 115, bairro Lins de Vasconcelos.
As informações dos jornais eram coincidentes quanto ao local, mas não quanto ao horário da ocorrência: às 2h20 segundo a Folha da Tarde, ou às 22 horas, conforme o Jornal do Brasil. Ao mesmo tempo, o atestado de óbito registra que Antonio Carlos morreu às 5h25, enquanto os peritos atenderam às 3h40 a ocorrência solicitada pelo DOPS/RJ para laudo em local de morte violenta. Seu corpo foi encaminhado ao IML como sendo de um desconhecido, com a guia nº 5 do DOPS.
Diligências efetuadas no âmbito da CEMDP permitiram localizar, nos próprios documentos do IML/RJ e nas fotos de perícia de local as provas que derrubaram cabalmente a versão oficial dos órgãos de segurança. Em todos os documentos oficiais Antonio Carlos aparece como desconhecido. O laudo, assinado por Olympio Pereira da Silva e Jorge Nunes Amorim, descreve tiros em regiões vitais: dois no pescoço e três próximos ao coração, registrando também muitas escoriações, sem definir a origem. As escoriações nas mãos, no tórax, na testa e nas faces do rosto são visíveis nas fotos de seu corpo e atestam torturas.
O relatório de perícia relativo à ocorrência 293/72 informa que os peritos compareceram ao local às 3h40 do dia 12 de abril, atendendo requisição do DOPS, e descreve o local do encontro do corpo de Antonio Carlos, na entrada da casa. Assinalaram feridas contusas e equimoses nas nove fotos que acompanham o laudo. Registram que suas vestes se achavam em desalinho, denunciando bruscos movimentos de luta, e que suas vestes e mãos estariam impregnadas de tinta de impressão. Tais fotos, entretanto, não foram localizadas. As duas fotos do corpo de Antonio Carlos que acompanham o processo foram resgatadas dos arquivos do IML/RJ, onde se encontravam sem qualquer identificação. O atestado de óbito foi firmado por Olympio Pereira da Silva, que deu como causa da morte, ocorrida às 5h25 do dia 12 de abril, ferimentos penetrantes e transfixantes do tórax e abdômen, com lesões do pulmão direito, coração e fígado – hemorragia interna. As marcas de tortura são claramente visíveis nas fotos: escoriações nas mãos, tórax e rosto, nem todas descritas na necropsia.
O corpo foi reconhecido pela irmã, Maria Elizabeth Nanni, após a publicação da versão oficial. O corpo foi entregue à família em caixão lacrado, tendo o enterro contado com a presença ostensiva de agentes policiais. Cabral era outro dos militantes acusados pelos órgãos de segurança de ter participado da execução do marinheiro inglês David Cuthberg, conforme já relatado no caso anterior, bem como do assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras, em que foram mortos três vigilantes de uma transportadora de valores. Não foi possível determinar as condições concretas em que Cabral foi morto, mas o entendimento unânime na CEMDP foi de que sua morte não ocorreu no local indicado pelos órgãos de segurança, apontando também os indícios eloqüentes de que foi torturado antes de morrer.
Conforme já relatado na apresentação do caso Gelson Reicher, em 09/11/2006, numa iniciativa conjunta entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e a diretoria do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, foi inaugurado nessa entidade de representação estudantil um memorial, painel metálico com fotos e textos, em homenagem a Gelson e Cabral.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Campanha - Lembrando as vítimas da Ditadura

ROBERTO CIETTO (1936-1969)

Filiação: Dorvalina da Silva Cietto e Primo Cietto
Data e local de nascimento: 12/10/1936, Pederneiras (SP)
Organização política ou atividade: MAR
Data e local da morte: 04/09/1969, Rio de Janeiro (RJ)

Segundo relatos levados à CEMDP, Roberto Cietto foi preso no dia 04/09/1969, quando passava casualmente em frente à casa do embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado no mesmo dia. Era conhecido e procurado pelos agentes de segurança, pois em maio daquele ano havia fugido da penitenciária Lemos Brito, no Rio de Janeiro. Levado diretamente para o Primeiro Batalhão da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, resistiu a apenas algumas horas de torturas.
Roberto havia iniciado a militância política na penitenciária, onde cumpria pena como preso comum, após estabelecer contato com os presos políticos, aderindo assim à resistência política. Fugiu do presídio junto com um grupo de presos políticos, dentre eles alguns ex-marinheiros, como Avelino Capitani, José Duarte e Marco Antônio da Silva Lima (morto em janeiro de 1970), além do ex-sargento da Aeronáutica Antonio de Paula Prestes, que constituíram uma nova organização clandestina denominada MAR – Movimento de Ação RevoLúcionária.
De início, o grupo de nove prisioneiros evadidos se instalou na região de Angra dos Reis, onde realizou deslocamentos e treinamentos de guerrilha. Em seguida, retornaram ao Rio de Janeiro, onde, segundo os órgãos de segurança, Cieto participou de algumas ações armadas.
Em A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari escreveu sobre Cietto: “Interrogaram-no durante três horas, no máximo. Às 18h40 ele morreu de pancada. O cadáver tinha o olho direito roxo, com um corte na pálpebra e ferimentos na testa, no tórax, num braço e numa perna.Foi sepultado como suicida. De acordo com as versões oficiais, era o 17º do regime, o sétimo a se enforcar numa cela, o sexto a fazê-lo num quartel. Segundo o laudo da perícia, asfixiou-se sentado”.
O corpo deu entrada no IML no mesmo dia 4, sendo necropsiado por requisição do Quartel do I Exército, de onde foi removido. A necropsia, assinada pelos médicos Elias Freitas e João Guilherme Figueiredo, em 05/09, confirma a versão oficial de que Roberto teria cometido suicídio por enforcamento, em sua cela, no DOI-CODI/RJ, apesar de descrever algumas escoriações encontradas no corpo, como hematomas
na pálpebra direita, no braço direito e na perna esquerda. As fotos da perícia de local, realizada pelo Instituto de Crimininalística Carlos Éboli, mostram claramente marcas de torturas. Além disso, análise do material fotográfico mostra que não havia como Roberto ter se enforcado, pois estava praticamente sentado. Também o laudo de perícia de local, feito pelo mesmo órgão oficial cita outras escoriações além das apresentadas na necropsia, afirmando que, “(...) a necropsia a ser procedida deverá esclarecer a recenticidade dos ferimentos por ação contundente constatadas nas regiões frontal orbitária direita e face anterior do joelho direito da vítima ” (sic).
O atestado de óbito contém apenas seu nome. Todas as outras informações constam como ignoradas, apesar de tratar-se de alguém que já havia cumprido pena, tendo todos os dados de identificação disponíveis para as autoridades, o que foi confirmado por sua ficha do Instituto Félix Pacheco. Roberto Cietto foi enterrado como indigente no Cemitério de Santa Cruz (RJ), em 30/09/1969.
O relator da CEMDP considerou insustentável a versão apresentada e concluiu que as evidências apontavam para o assassinato da vítima. As fotos demonstraram a existência de lesões no seu corpo, fruto de violência anterior, além de mostrarem que ele “se enforcou” sentado no chão, o que afasta a hipótese de suicídio. Outros indícios apontaram para a montagem da cena: o laudo registra que o instrumento usado para se suicidar foi um cordão, “utilizado para atar coturnos de soldados”, reconhecendo ser um elemento “não comum naquele ambiente (cela de preso)”. Para o relator, mesmo que a hipótese de suicídio fosse, em tese, admissível, ainda assim Roberto Cietto teria morrido sob a guarda do Estado, por motivos políticos e de causa não-natural.

CUT organiza luta pela promoção da igualdade racial

29/07/2011
Fim da discriminação só será uma realidade com a implementação de um conjunto de medidas como trabalho decente, igualdade de oportunidades e combate ao preconceito, reafirmam dirigentes da Central

Escrito por: William Pedreira


Apesar dos esforços e das ações organizadas pelo movimento sindical que resultaram em avanços na promoção da igualdade racial, persiste no mercado de trabalho a desigualdade entre negros e brancos. Este é o panorama relatado no estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comparando dados da Pesquisa Mensal de Emprego de 2009 com a de 2003.

Nele, registra-se uma melhora para todos os setores em questões relacionadas ao mercado de trabalho, mas a intensidade dessa melhoria ainda não é suficiente para reduzir as desigualdades.

Em relação ao rendimento, por exemplo, negros e negras continuam tendo uma remuneração menor e maior dificuldade de acesso a postos de trabalho com melhores salários.

A renda média real dos negros cresceu de R$ 690,3 para R$ 847,7 no período, enquanto a dos brancos subiu de R$ 1.443,3 para R$ 1.663,9. Em porcentagem, o rendimento médio de negros aumentou 22%, enquanto a renda média dos brancos evoluiu 15%.

Isso demonstra que, em termos de ganho de rendimento, negros tiveram um percentual maior do que o alcançado pelos brancos. Mesmo assim, o ganho não reflete na diminuição da diferença salarial em números finais.

Outro dado de destaque que evidencia a discriminação de raça vem da análise feita pelo Instituto Ethos sobre a participação e a desigualdade de remuneração em diferentes níveis hierárquicos.

Durante o governo Lula, a participação de negros nas empresas passou de 23,4% (2003) para 31,1% (2010), segundo pesquisa feita em 500 empresas. Porém, quanto maior o nível hierárquico, menos negros presentes. Eles ocupam 25,6% dos cargos de supervisão. Estão em 13,2% dos cargos de gerência e em 5,3% dos cargos de diretoria.

“Diante deste panorama, a CUT vem mobilizando sua base no sentido de debater e consolidar ações afirmativas que diminuam as desigualdades, sejam elas no âmbito do mercado de trabalho como em outros setores da sociedade”, destaca Maria Julia Nogueira, secretária de Combate ao Racismo da CUT, complementando que “cabe ao Estado um papel ativo e propositivo, implementando políticas específicas que contemplem a diversidade racial. Sabemos que avançamos bastante neste último período com o governo do campo democrático popular, mas queremos continuar avançando com políticas públicas que diminuam as diferenças estruturais, garantindo que a inserção e as oportunidades no mercado de trabalho ocorram de forma igualitária e justa”.

A dirigente da CUT reafirmou o compromisso da Central na luta pela promoção da igualdade racial durante a Oficina Nacional da Secretaria de Combate ao Racismo iniciada na manhã desta quinta-feira (27) e que seguirá nesta sexta (28) com a definição das ações da Secretaria para o próximo período.

Trabalho Decente para todos/as - A discussão sobre trabalho decente está inserida como prioritária na pauta da CUT para o próximo período. Isso porque em maio de 2012 acontece a I Conferência Nacional de Trabalho Decente.

Esta Conferência será a primeira voltada especificamente ao mundo do trabalho, debatendo políticas de emprego, renda e trabalho em âmbito federal. A CUT tem trabalhado no sentido de organizar sua militância para participar das etapas preparatórias, com propostas que visam garantir avanços nas políticas públicas, em especial, às relacionadas ao mundo do trabalho. “Sabemos que será um desafio para a classe trabalhadora, já que estaremos diante de intenso enfrentamento e disputa de projetos distintos. Por isso, é muito importante qualificar nossas intervenções para assegurar que as nossas propostas sejam debatidas e aprovadas avançando no campo de direto do trabalho” conclama Manoel Messias, secretário de Relações de Trabalho da CUT

Para o dirigente CUTista, o que estará em jogo é o sentido de avançar e não permitir o retrocesso. A CUT já realizou sete oficinas nacionais nos quatro cantos do país para preparar a sua militância, produziu uma cartilha “Trabalho Decente na Estratégia da CUT” com subsídios para o debate e disponibilizou em sua página na internet todas as informações necessárias. Para acessar o materialclique aqui.

Mulheres negras: um caminho por justiça - O conceito de trabalho decente envolve uma série de proposições como a luta por igualdade de oportunidades, ou seja, direitos iguais para todos e todas. A discriminação contra a mulher negra no mercado de trabalho é visível. Dados comprovam que ela é duplamente discriminada: por ser mulher e por ser negra.

Pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos) mostra que o desemprego é maior para as negras do que para as não-negras. Além disso, aquelas que saíram do desemprego ainda recebem os menores salários do mercado.

Rosane Silva, secretária da Mulher Trabalhadora, acredita que a igualdade de oportunidades é um preceito fundamental para superação da pobreza e da exclusão social. “Nosso país possui ainda grandes níveis de desigualdade social e concentração de renda, fatores que explicam a pobreza diretamente ligada ao gênero, posição da família, raça, etnia. Por isso, é fundamental incluir a dimensão de gênero e raça nas políticas de combate a pobreza, de exclusão social e de geração de emprego e renda.”

As mulheres em números são hoje cinco milhões a mais do que os homens, mas dados sobre a população economicamente ativa mostram que 89% dos homens estão empregados, enquanto apenas 65% das mulheres estão nesta mesma situação. Se a análise for feita com mulheres negras este número cai para 63%.

O salário médio da mulher negra com emprego formal, por exemplo, é menos da metade do que o salário de um homem branco. Conforme lembra a dirigente CUTista, a igualdade salarial é um dos preceitos incluídos na campanha igualdade de oportunidades na vida, no trabalho e no movimento sindical que a CUT relançou em 2008 que envolve também entre outras questões: creches públicas de qualidade em tempo integral, ratificação da convenção 156 (igualdade de oportunidade e tratamento), ratificação da convenção 189 (trabalho doméstico), redução da jornada de trabalho, valorização do salário mínimo, combate a violência contra as mulheres e legalização do aborto.

“Nosso desafio é incorporar a luta das mulheres negras na agenda da CUT assumindo permanentemente o combate a todas as formas de discriminação racial. Esta é uma luta das mulheres negras e das mulheres da CUT”, conclama Rosane Silva.

Juventude quer educação e respeito - Se para o conjunto da população negra o preconceito e discriminação no mercado do trabalho é um problema, isso é ainda pior para os jovens e as jovens. Pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostra que os negros trabalham mais e nas piores ocupações, entram mais cedo no mercado de trabalho e saem mais tarde.

Quando inserido no mercado de trabalho ocupam os piores empregos, com baixa remuneração, atividade precarizada, sem proteção social, sem registro de carteira, explorado pelo capital. Aqui, pode-se inserir como exemplo os setores do telemarketing, do trabalho doméstico, onde não se está envolvido a imagem pessoal e portanto um trabalho de baixa remuneração, que não exige um grau de escolarização e que acarreta quase sempre um processo de total exploração.

“Por isso que nós inserimos na agenda prioritária da juventude da CUT a luta por trabalho decente que envolve a redução da jornada de trabalho sem redução de salário possibilitando um maior tempo para os estudos, à qualificação, ao lazer e ao descanso. Queremos também políticas que garantam a permanência dos/as estudantes na escola, em todos os níveis de ensino, adiando a entrada destes no mercado de trabalho e políticas afirmativas que reparem as desigualdades históricas e priorizem a igualdade racial”, atenta Rosana Sousa, secretária de Juventude da CUT.

Rosana adiantou que a CUT empunhará essas bandeiras no dia 12 de agosto, Dia Internacional da Juventude, em atos que acontecerão por todo o Brasil.

Organização para avançar - Todas as questões citadas acima e discutidas durante a Oficina deverão levadas para as Plenárias Estaduais e Plenária Nacional da CUT. Por isso, resume Rosane Bertotti, secretária de Comunicação da CUT, é fundamental que os dirigentes presentes debatam, organizem e envolvam a luta por uma sociedade mais justa, igualitária e sem discriminação racial nas Plenárias Estatutárias.

“A CUT Nacional definiu como eixos principais para esta Plenária disputar os rumos da sociedade e do movimento sindical. Estas Plenárias terão um papel decisivo e definitivo no processo organizativo da CUT. É preciso pensar qual a forma de disposição para enraizar a política de combate ao racismo dentro da CUT, não sendo apenas um debate horizontal, mas levando para dentro do local de trabalho, garantindo os direitos dos negros e negras”, exclama Rosane Bertotti.

A CUT historicamente sempre se mobilizou em defesa dos interesses imediatos da classe trabalhadora, mas não se absteve em atuar apenas no campo do mundo do trabalho, pautando e disputando projetos no bojo da sociedade. Neste sentido, lembra Rosane, faz-se necessário um processo de articulação com outros movimentos sociais, estratégicos para a disputa hegemônica, como por exemplo, quando se fala especificamente da questão racial.

“Podemos incluir aqui também o debate da democratização da comunicação, porque o que vemos é uma clara criminalização dos movimentos sociais e dos negros e negras. A comunicação brasileira é regida por uma lei antiga, de 1962, onde não há nenhum privilégio aos movimentos sociais, para as mulheres ou negros e negras. Pelo contrário, vemos nos programas de televisão a forma como são tratados, sempre no espaço da senzala, do crime. Portanto, por mais que a gente tenha avanços na trajetória sindical, a discriminação racial ainda é muito presente. O que reivindicamos é que a identidade cultural seja respeitada e incluída dentro da regulação da mídia”, reivindica Rosane.